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Editorial

  • 8 de abr.
  • 2 min de leitura

A revista Tao & Dao não é.


Esta não é uma revista sobre dietas: para perder peso, vegetariana, vegana ou keto. Não é sobre dietas com jejum intermitente. Não é uma revista sobre gastronomia crua, nem sobre sucos detox. O que escreveremos não será sobre dieta mediterrânea, nem como abolir todos os eletrodomésticos e microondas e voltar a cozinhar de forma mais artesanal. Esta revista não é específica para diabéticos, nem para chefs de cozinha molecular. Nem mesmo é uma revista de receitas. Tampouco de ervas ancestrais resgatadas. Essa revista não é um tratado de eliminação da carne, nem dos alimentos industrializados. Não nos concentraremos nos superalimentos, nem na rota econômica dos grãos mais produzidos no mundo. É ainda importante dizer que esta revista não é sobre enfermidades, doenças e síndromes raras. E ressaltamos que não é sobre lobby para promover o que as supersafras transformam em alimentos da moda. Não é sobre o alto índice de desnutrição infantil no planeta. Não é uma revista que mudará sua vida para sempre através da abordagem esotérica. Não é sobre holística, não prioriza alimentações milenárias como a kosher, a ayurvédica ou a do Ramadã. Esta revista não é sobre a comida contemporânea das tribos na África nem sobre a produção de pescado na Ásia. Também não faz parte deste editorial falar sobre os sabores ou a incapacidade de senti-los e como a neurociência trata disso.


Esta é uma “revista”.


Uma ação de revisão sobre uma síndrome metabólica multissistêmica. Uma pseudoalergia alimentar cujas estimativas dizem que pode afetar entre 1% [1]  e 6% [2] da população mundial. Pessoas de qualquer etnia, idade, condição econômica, nível educacional ou crença. Indistintamente. "Dize-me o que comes e te direi o que és" [3] será o título do editorial da edição número dois. Agora, para inaugurar estas páginas, é preciso dizer o que os afetados escutam por longos anos da sua vida: o seu sintoma “não é”. 


Os múltiplos sintomas que as pessoas com hipersensibilidade alimentar apresentam são tidos como coisas da “cabeça delas”, não aparecem nos exames clínicos, mas são visíveis na sua pele e em muitos casos, os incapacitam para a vida prática. Tal como citado na literatura médica: essa síndrome é o “camaleão clínico” [4]. Mas, assim como este animalzinho que se esconde ou se integra usando os recursos da sua fisiologia e metabolismo, as pessoas com esta síndrome, podem acessar uma ecologia de recursos para deixarem de ser invisíveis. O diagnóstico do desequilíbrio da histamina é o primeiro deles.


Esta revista é sobre o diagnóstico e sobre a força-tarefa multidisciplinar necessária para retirar esta condição do subdiagnóstico global, unindo pacientes emancipados e profissionais de saúde atualizados.


Ao seu serviço, com afeto.


Cristina Aguiar

Fundadora de DAO Equilibrium


Texto autoral.

Revisão de referências científicas e desenho de plataforma multidisciplinar apoiadas por Inteligência Artificial (IA), com a utilização de ferramentas do Google como o NotebookLM e o Gemini.


Referências:

[1] The American Journal of Clinical Nutrition, 2007.

[2] Biomolecules, 2022. 

[3] A fisiologia do gosto, 1825. 

[4] Intestinal Research, 2019.


Revista Tao & Dao | 1ª edição | Maio-Junho 2026

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